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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A Palavra Mágica

Uma palavra pode fazer um grande efeito como um grande estrago.. sua procura é um doce martírio. Lindo o poema abaixo de Drummond.  Enjoy!
Lana.M

Certa palavra dorme na sombra de um livro raro
Como desencantá-la?

É a senha da vida a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro, não desanimo, procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura ficará sendo minha palavra.


Carlos Drummond




sábado, 12 de fevereiro de 2011

MOTIVO

Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.
Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias no vento

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo: - mais nada.
Cecília Meireles

Poemas

Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão.

Eles não têm pouso nem porto; alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti...

Mário Quintana













sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

TRANSA GRAMATICAL


Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.


O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice..


De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.



Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.
 Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois.


Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.



Redação feita por uma aluna do curso de Letras da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco (Recife) -, que venceu um concurso interno, promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A Vingança do Escritor.

A vingança do escritor
 
   Já contei que uma vez o Jorge Furtado comprou um programa de traduções para o seu computador e fez uma experiência. Digitou toda a letra do nosso Hino Nacional em português e pediu para o computador traduzi-la sucessivamente em inglês, francês, alemão, holandês, etc. Do português para o inglês, do inglês para o francês e assim por diante até ser traduzida da última língua do programa de volta para o português. Segundo o Jorge, a única palavra que fez todo o circuito e voltou intacta foi “fúlgidos”. Em inglês, “salve, salve” ficou “hurray, really hurray” e parece que em alemão o texto ficou irreconhecível como hino, mas, em compensação, reformulou todo o conceito kantiano do ser enquanto categoria transcendental imanente em si.
  Gostei de saber do fracasso do computador. O meu barato era ver computador ridicularizado. Uma implicância mesquinha, reconheço. Eu a via como um último gesto de resistência à beira da obsolescência. Não podia viver sem o computador, mas minha antipatia crescia com o convívio. O programa de texto que eu usava era à prova de erro ortográfico. O computador não me deixava errar, por mais que eu tentasse. Subvertia o que eu tinha de mais pessoal e enternecedor e sublinhava meus erros com vermelho insolente. Não era raro eu repetir o erro, para desafiá-lo e mostrar que alguns dos nossos ainda não tinham se intimidado, na esperança de que ele desconfiasse que eu estivesse certo - ou fosse um caso perdido - e retirasse a correção. Nunca aconteceu. Ele não tinha dúvidas da sua superioridade. Ele não tinha nenhum senso de humor. Daí minha alegria ao saber do seu fracasso como tradutor.
   Mas agora - arrá! - somos iguais. Com a reforma ortográfica ele se tornou tão obsoleto quanto eu. Ficou ridículo, insistindo em tremas e hífens que não existem mais. Acabou a sua empáfia! E eu serei implacável. Sei que é fácil atualizar o programa de acordo com as novas regras, mas não farei isto imediatamente. Antes quero saborear a minha vingança. E a cada vez que ele sublinhar em vermelho uma palavra minha, direi: “Burro é você! Burro é você!”
Luis Fernando Veríssimo

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Reflexão sobre Reflexão

Terrível é o pensar.
Eu penso tanto.
E me canso tanto com meu pensamento.
Que às vezes penso em não pensar jamais.
Mas isto requer ser bem pensado.
Pois se penso demais.
Acabo despensando tudo que pensava antes.
E se não penso.
Fico pensando nisso o tempo todo.

Millôr Fernandes

Escrevo sem pensar.

Escrevo sem pensar,
tudo o que
o meu inconsciente grita.
Penso depois:
não só
para corrigir ,
mas
para justificar
o que escrevi.

Mário de Andrade 

domingo, 30 de janeiro de 2011

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Por que escrever?

Muitas das pessoas, que lêem meu blog devem se perguntar como uma garota sai de democracia para escrever sobre bilinguismo e logo depois querer divagar sobre a amizade.
Pois bem, antes de começar a falar da amizade, lhes tirarei da dúvida e me explicarei.

Meu primeiro blog, conforme já lhes contei, era apenas sobre o bilinguismo. Tenho tanto a falar a respeito, entretanto me vi meses a fio sem postar uma só linha. Não queria ter a obrigação de escrever sobre aquilo. Foi daí que cheguei a conclusão do que o escritor Mario Vargas Llosa descreve tão simplesmente:

"O escritor não escolhe seus temas: é escolhido por eles. Escreve sobre certos assuntos porque certas coisas se passaram com ele."

Atrever-me-ei a completar seu pensamento e dizer que o escritor escreve sobre suas vivências e também a observação da vivência dos outros.  Gosto de observar. Gosto de observar pessoas e imaginar "What makes them tick". Muitas vezes um simples comentário, faz surgir em minha mente milhões de coisas que gostaria de falar.
A admiração pelo diferente. A crítica sempre será uma forma de admiração. Admiração por fugir do padrão: absurdo demais, feio demais, errado demais; louco demais; perfeito demais.
O ser humano será sempre uma fonte inesgotável de assunto para qualquer autor. Sim, as pessoas não têm roteiro. As mais previsíveis das criaturas mostram-se, por inúmeras vezes, imprevisíveis. É daí que vem a inspiração.

Será que é muita presunção da minha parte incluir-me nessa categoria? Acho que não... Não estou qualificando que tipo de escritora sou.. :) Apenas que, ao digitar teorias ou idéias que até então só existiam em nível de pensamento, posso me incluir nesse termo... Se não, seria apenas uma pensadora. Certo?

Bem, voltemos ao porquê da escolha dos meus temas.
Pois bem, sinto que quando estou irritada, revoltada, indignada com algo, (infelizmente isso acontece com freqüência), as palavras fluem... Não sei de onde vêm, mas vêm!
Da mesma forma acontece com experiências muito positivas... Elas são inspiradoras. Ah! Agora entendi o papel das "musas" dos mais variados artistas... A INSPIRAÇÃO.

Ao falar sobre os mais variados assuntos, voltei mais uma vez a escrever sobre o bilinguismo.

Dito isto, agora poderão ficar imaginando os porquês dos meus temas. :) O que será que ela vivenciou que a fez escrever? Muito engraçado, essa conversa não terá fim.
Lembrarei-lhes apenas que, como pessoa observadora que sou, também escrevo e descrevo oque ACHO  se passar com outras pessoas. Espero nunca ter de morrer para escrever sobre a morte. Essa eu tenho certeza que nem poderia, não?

Uma vez explicado que não sou maluca por sair de um tópico para outro tão diferente. Escreverei meu próximo texto, sobre a amizade, que claro surgiu de alguma vivência positiva, pois, como todos sabem, é bom ter amigos!

Lana.M (Escritora edonista, só escreve oquê lhe dá prazer!)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Ótima Surpresa!

Gente, ontem tive uma ótima surpresa! Escrevi um texto sobre o Halloween e em questão de horas 150 pessoas o haviam lido! Para quem escreve é muito bom saber que tem realmente alguem ai do outro lado que lê! Por isso esse POST é para pedir sugestões de temas para meus posts.
O que seria um tema interessante, legal que, de uma maneira geral, as pessoas gostariam de ler?
Esse blog não tem nenhum outro objetivo que não seja a minha necessidade de escrever... kkk: )
Adoro escrever e gostaria de contar com a SUA participação, criatividade e ajuda!

OBRIGADAAA antecipadamente a todos que tiverem um tempinho e me respondam.

Um abraço, Lana M.

P.s Sempre que tiverem um tempinho também para comentar meus posts, adoraria ouvi-los. Sei que só entre os meus amigos do Facebook, MSN e Orkut tenhos muitos leitores inteligentes, imagine se contar com vcs leitores que por acaso encontraram meu blog!

Ao leitor (a)

Obrigada por prestigiar meu blog.

Leia também meus posts anteriores. Todos os textos encontram-se divididos entre os MARCADORES na coluna à direita!

Comente, opine. Adoraremos ouvir o que você tem a dizer! :)

Lana M.